sábado, 4 de junho de 2022

Capangas no hiper-capitalismo


Vou tomar esse termo emprestado dum livro que estou terminando de ler: "Sociedade do cansaço", de um cara chamado Byung-Chul Han, filósofo e ensaísta sul-coreano, professor da Universidade de Artes de Berlim. Pra falar da eleição desse outubro.


Pois é exatamente isso que estamos escolhendo a cada quatro anos: capangas! Tanto no Poder Legislativo, quanto no Executivo. Contratados a peso de ouro para defender o Sistema hiper-capitalista. Capangas dos banqueiros, dos usineiros, capangas de Igrejas, da Mídia, de quartéis, capangas das milícias, da indústria da bala e do boi.


O eleitor, desavisado, vota nos capangas de seus piores inimigos. Nos racistas e homofóbicos, nos candidatos "humoristas", nos médicos incompetentes e nos advogados acostumados a defender bandidos. O eleitor se deixa iludir e troca o voto por ninharias. "Eu conheço fulano e ele me pediu primeiro!".


Com isso, a política representativa vai perdendo o sentido. O voto obrigatório empurra o "gado" pro abatedouro da democracia monetarizada. Ganha quem investe mais.


Os capangas do Sistema são recicláveis e retornáveis. Na verdade, eles representam apenas suas corporações e seus "patrões". Não é a toa que nas últimas eleições se passou a falar tanto em "estelionato eleitoral". Falsidade ideológica praticada à luz do dia, descaradamente.




O fim da luta de classes


Tem outro engodo que a gente precisa desmistificar: aquele que diz que a democracia representativa é a melhor maneira para fazer valer a vontade do povo, da maioria. Como se fosse possível fazer a disputa da famosa "luta de classes" através do voto.


A luta de classes, como os antigos comunistas a desenharam, não existe. Nunca existiu! Pelo simples motivo de que não há "luta" sem que haja condições iguais para as batalhas. Luta com condições desiguais não é luta, é massacre! Pior é ter que lutar contra inimigos invisíveis, já que a definição de "classe social" ficou sedimentada apenas nas teorias sociais dos marxistas.


Entre classe trabalhadora e classe dominante há uma gama incomensurável de subclasses, principalmente agora, num mundo totalmente uberizado. Então, como organizar uma luta se não sabemos nem quem são os disputantes?


Numa sociedade marcada pela chamada "economia sharing", em que todos vamos sendo obrigados a ser vendedores de alguma coisa, luta-se apenas pela venda, ou, como prefere a nova narrativa corporativa, pelas entregas. Assim, agora, temos apenas uma classe, a entregadora.


Para combater os capangas é preciso aumentar o exército de homens e mulheres livres e libertárias. Para que a Política volte a ser uma ação coletiva promotora de justiça e de igualdade social. Política para o bem e para o fomento da felicidade social coletiva.


Em outubro, os brasileiros poderemos diminuir o número de capangas-políticos. Afastar os capatazes e capitães-do-mato que nos perseguem. O voto não é a melhor arma para uma "luta de classes", mas pode ser usado para fazer aumentar as políticas públicas para a classe entregadora.


Esqueça tudo que vivemos nesses últimos quase cinco anos. Faça de conta que estamos acordando dum horrível pesadelo. Ou que saímos (todas e todos) de um coma profundo induzido por uma droga alucinógena que nos foi injetada no cérebro pela mídia.


Tenha coragem: abra os olhos! Erga o tronco e a cabeça. Respire o ar renovado da superfície. Saia da lama com passos firmes. Não se deixe afundar novamente. Sua vida não é apenas esse "expediente sem meta". Avise às pessoas que você ama: essa tempestade que trouxe as novas pragas do pós-apocalipse vai passar!!


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*Dalmo Oliveira